As fotos são prints do desfile da Imperatriz 1999, melhoradas com IA.
A resolução dos vídeos dos desfiles, até a primeira década dos anos 2000, precisa ser restaurada urgentemente.
Estou em busca de um projeto ou empresa que tope fazer essa empreitada.
Antes de olhar uma alegoria pronta, coberta de ouro, arabescos, candelabros, esculturas, plumas e personagens, é preciso aprender a enxergar o que existe por baixo da decoração.
Porque a decoração não cria a composição. Ela veste uma composição que já estava resolvida antes.
Foi isso que comecei a perceber ao estudar os carros alegóricos de Rosa Magalhães.
Meu primeiro rabisco não era o desenho de um carro. Era a tentativa de encontrar a sua gramática estrutural da composição — a base invisível sobre a qual diferentes alegorias podiam nascer.
No Quadro 1, aparecem as bases: vários níveis e pedestais, altos e baixos, distribuídos sobre o chassi. São os lugares onde estarão as pessoas. Isso significa que as figuras humanas não são simplesmente colocadas sobre o carro depois de pronto: elas já nascem distribuídas pela arquitetura da alegoria.
No Quadro 2, aparecem as massas geométricas: cones, cilindros, blocos, discos e grandes formas centrais encaixadas entre essas bases. Depois, esses volumes recebem a decoração e praticamente desaparecem aos nossos olhos.
O chassi curvo funciona como a linha-base que sustenta toda a composição.
A linha central forte cria o eixo monumental: a alegoria cresce em direção ao centro e vai descendo para as laterais, construindo equilíbrio, hierarquia e movimento.
Por baixo de todo o esplendor, começa a aparecer uma fórmula:
uma base + um eixo central + plataformas humanas em diferentes alturas + grandes massas geométricas intercaladas.
E aqui está a parte mais fascinante deste estudo: antes de olhar para essa recorrência como repetição ou cópia, experimente olhar para ela como uma base compositiva que recebe novas roupagens a cada ano.
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